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Tepi: o guia do aplicador cerimonial de rapé

O tepi é o aplicador cerimonial de rapé: um tubo longo — geralmente de bambu, taboca ou osso — usado quando uma pessoa aplica a medicina em outra. Se o kuripe é o instrumento da prática pessoal, o tepi é o instrumento do encontro: envolve confiança, presença e a relação entre quem sopra e quem recebe.

Última revisão editorial: julho de 2026 · Por Marcio Purusha

O simbolismo do sopro compartilhado

Nas tradições amazônicas, aplicar rapé com o tepi não é um gesto mecânico. Quem sopra oferece, junto com a medicina, sua intenção e seu estado de espírito — por isso, tradicionalmente, o tepi é manejado por pajés, líderes de cerimônia ou pessoas de confiança. Receber pelo tepi é um exercício de entrega; soprar é um exercício de responsabilidade. Essa reciprocidade é o coração do instrumento.

Materiais e feitio

Os tepis tradicionais são feitos de taboca ou bambu, às vezes de osso, com comprimento suficiente para que aplicador e receptor fiquem frente a frente. Muitos são adornados com trançados, miçangas, penas e grafismos kene — cada adorno situa o objeto na estética de um povo. Em nossa curadoria de kuripes e tepis, a origem artesanal é sempre identificada.

Como o tepi é usado

O uso tradicional segue um ritmo próprio, mais lento que o da autoaplicação:

  1. Quem aplica prepara a medida de rapé e a posiciona na extremidade do tubo.
  2. Receptor e aplicador se alinham: um momento de silêncio, respiração e acordo mútuo.
  3. A ponta do tepi é levada à narina de quem recebe; quem aplica sopra com firmeza e cuidado.
  4. Repete-se na outra narina, e o receptor permanece em silêncio, acolhendo o efeito.

Como em toda a tradição do rapé, menos é mais, e o contexto — intenção, respeito, presença — é parte inseparável da prática. Nosso compromisso com o uso responsável está no Aviso Legal e Uso Consciente.

Cuidados com o tepi

Após o uso, limpe o interior com uma haste ou pincel fino e mantenha o tubo seco. Tepis de bambu e osso não devem ser lavados com água em abundância; um pano levemente úmido é suficiente. Guardado com cuidado — em tecido, estojo ou altar — o tepi acompanha muitos anos de prática.

Tepi ou kuripe?

São dois momentos da mesma tradição: o kuripe serve à prática pessoal e cotidiana; o tepi, ao contexto cerimonial e à partilha. Quem mantém uma prática regular costuma, com o tempo, ter os dois.

Continue explorando

Aprofunde-se no guia completo do rapé, conheça o kuripe e a sananga, e consulte o Glossário da Floresta.